ÁGUAS-VIVAS e CARAVELAS – Como lidar com elas?

por David Szpilman

Muitas são as lendas sobre estes seres marinhos. Os antigos nativos Havaianos utilizavam o soro do mamão “papaia” para tratar suas queimaduras. Em meu trabalho, como médico no Salvamar do Rio de Janeiro (GMAR), muitos já me perguntaram se a urina é eficaz para reduzir a dor da queimadura. A resposta é que não existe comprovação científica que apoie nenhuma destas lendas como verdadeiras e desaconselhamos qualquer destas iniciativas.

As águas-vivas e caravelas são muito comuns em nossas praias por preferirem as águas com fundo arenoso. Sua maior incidência, em nosso litoral, ocorre no verão, e principalmente durante as tempestades e ressacas quando podem atingir algumas praias em grande número. No verão de 1994, foram registrados cerca de trezentos acidentes com estes animais nos litorais de São Paulo e Rio de Janeiro. Geralmente, flutuam calmamente na superfície e apesar de se deslocarem ,estão em grande parte, à mercê das correntes e ondas. Para capturar seu alimento, elas inoculam sua peçonha através dos nematocistos. Cada nematocisto possui uma pequena cápsula arredondada contendo a peçonha, e uma ponta que é projetada para fora ao entrar em contato com a vítima. Cada água viva possui milhares de nematocistos prontos para serem disparados ao entrar em contato com a pele humana.

Quais os sintomas e sinais que provocam?
· Os mais comuns são as urticárias e queimaduras locais dolorosas que podem durar de 30 minutos a 24 horas.
· Nos casos mais graves, podem ocorrer dor de cabeça, mal-estar, náuseas, vômitos, câimbras, e outros que vão desde a dificuldade respiratória até as arritmias cardíacas, paralisia, delírio e convulsão.
· A morte é rara mas pode ocorrer por insuficiência respiratória ou choque, provocado por efeito da intoxicação ou de anafilaxia.

Como evitar?
· Ocorrem mais em águas calmas e quentes (90%) e no período da tarde (69%) e atingem mais as pernas (77%), os braços (11%), o tronco (10%) e a cabeça (2%).
· Roupas de neoprene, são úteis para evitar a inoculação da peçonha.
· Mesmo mortas, os tentáculos podem grudar na pele e provocar graves lesões.
· Cobrir o corpo com óleo mineral, pode evitar que os tentáculos grudem na pele.
· Na remoção dos tentáculos grudados nunca use as mãos desprotegidas.

Como tratar?
Ao ser atingido,
· Não coce o local.
· Não tente remover os tentáculos aderidos com as próprias mãos.
· Mantenha a calma e tente sair da água o mais rápido possível, para evitar o risco de choque e afogamento.
· Só após chegar na areia, faça a remoção cuidadosa dos tentáculos aderidos, e NUNCA esfregue a região atingida pois aumenta o rompimento dos nematocistos.
· Lave abundantemente a região atingida com a água do mar para remover ao máximo os nematocistos e os tentáculos aderidos à pele. Não utilize água doce, pois ela pode romper (por osmose) os nematocistos que ainda não descarregaram sua peçonha.
· Lave a região, sem esfregar, com ácido acético a 5% (vinagre) por cerca de 5 a 10 minutos e alterne com água do mar por 2 a 3 vezes. O vinagre desativa os nematocistos ainda íntegros e neutraliza a peçonha, mas não tem ação sobre a dor.
· Caso a dor continue, use compressas geladas no local e analgésico tipo Paracetamol.
· Havendo reação alérgica ou inflamatória importante procure um médico para orientação.

Dr David Szpilman

Dr David Szpilman

Dr David Szpilman - Sócio Fundador, Ex-Presidente, Ex-Diretor Médico e atual Secreatário-Geral da SOBRASA; Ten Cel Médico RR do CBMERJ; Médico do Município do Rio de Janeiro; Membro do Conselho Médico e Prevenção da International Lifesaving Federation - ILS; Membro da Câmara Técnica de Medicina Desportiva do CREMERJ. www.szpilman.com